sábado, 19 de dezembro de 2009

Porque comemorar o natal só em dezembro?


O Natal não é (só) em Dezembro
É sempre que assim o desejarmos. O Natal pode ser em Janeiro como em Agosto. Pode ser no dia 4 ou no dia 28.
Como se fosse um irmão gémeo, ao Natal encontra-se associado o chamado "espirito natalicio". Isto é, uma maior sensibilidade, tolerância, simpatia, um coração aberto mas com prazos de validade. Porque vem o Janeiro e "Ai, e tal, é Janeiro, lá se foram as festas, até parece que estou com depressão, a magia acabou...". Para mim, é inegável: adoro o Natal. Mais ainda desde que fui mãe porque, para mim, o Natal é mesmo das crianças. Não existe maior prazer do que oferecer um presente a uma criança. Não encontro em mais qualquer olhar aquele brilho especial, a tocar num patamar mágico, transcendente até. E, profundamente, o que me sensibiliza são as noticias de figuras públicas que visitam esta ou aquela instituição, que distribuem presentes em lares de acolhimento, que fazem doações para fins beneméritos. Fico a imaginar a alegria das pessoas quando vêm entrar porta dentro a personagem x da novela y ou aquele apresentador tão simpático do canal z. Vinda a visita, os "famosos" vão-se embora. E nos meses seguintes? Onde é que ficam as boas ações? Os gorros de Papai Noel? Os beijinhos, o segurar na minha mão a tua mão, as palavras simpáticas, os votos de saúde e felicidade, para si e para os seus? Caem no esquecimento, no vazio? Afinal, quem é que é "famoso"? Aquele que aparece porque é Natal ou aquele que está ao abrigo de uma cama de hospital? E o que é ser "famoso" e o que significa "aqui estou eu com um saco de presentes porque é Natal"? E o Natal dos Hospitais? Dar alegria a pessoas que estão hospitalizadas, nesta quadra em particular, é importante. Mas seria igualmente memorável levar a alegria a estas pessoas durante todo o ano. Como se percorressemos o abecedário na integra. E não apenas no Natal. Porque o Natal, enfim, passa. O Ano Novo também. O que não passa são os restantes meses. Em que pouco ou nada sabemos, lemos ou ouvimos das crianças internadas, dos idosos abandonados em hospitais, dos sem-abrigo que mergulham numa tigela de sopa fumegante as suas duras memórias. Pena é que o chamado "espirito natalicio", como o próprio nome indica, apenas traga como validade a quadra do Natal. O mês de Dezembro. Porque, depois disso, tudo regressa à "normalidade". À quase (para não dizer total) indiferença. Para o umbigo de cada um. Para o "o outro? quem é o outro?".
Como acima referi: o Natal não é (só) em Dezembro. Pois não?
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