quinta-feira, 11 de julho de 2013

Trabalho com crianças pequenas, entre quatro meses e três anos de idade

Por Ana Paula Yazbek No trabalho com crianças pequenas, entre quatro meses e três anos de idade, é muito frequente os educadores manifestarem certa angústia com relação à comunicação do trabalho com as famílias e também em tornar representativos da informação os registros feitos pelas crianças. Durante muito tempo, a busca por registros que fossem significativos para as crianças, que comunicassem às famílias algo relevante fez com que os educadores perdessem boa parte de seu precioso tempo com propostas estereotipadas e limitantes, nas quais a autoria das crianças se perdia, pois todos os trabalhos eram iguais. Esse dilema ocorre porque, até os três anos de idade, a produção gráfica das crianças não é nem figurativa, nem simbólica, é um registro de uma ação, que nem sempre fica totalmente documentado, configurando-se como um fragmento que pode ou não ser identificado e decodificado por pessoas que não tenham partilhado do momento de sua produção. Nos cursos para educadores de crianças de zero a três anos de idade temos apresentado algumas formas de registro que garantem, ao mesmo tempo, o protagonismo dos alunos como autores de sua produção, e o resgate de seu significado pelos adultos. Deles, iremos destacar dois tipos: o registro de imagens e o registro gráfico de ações.
O primeiro deles é feito a partir de imagens (fotos e filmagens) da ação das crianças. Quando, por exemplo, num projeto relacionado a poesias e parlendas as crianças fazem um recital para outra turma e boa parte da ação é filmada e editada para ser apresentada posteriormente aos pais. Neste caso, o registro é feito pelos adultos e as crianças participam da ação. Por isso, cabe aos educadores o devido cuidado na captação e edição das imagens. Sabemos que, em geral, as filmagens realizadas nos espaços educativos podem ser consideradas “caseiras”, mas se as usarmos como registros a serem partilhados com a comunidade (pais e outros educadores), deveremos ter atenção com os aspectos básicos de manuseio de câmera (evitando a movimentação excessiva) e ao enquadramento das imagens. O segundo tipo, o registro gráfico da ação, sobre o qual temos refletido bastante e, reconhecemos, é como um pequeno fragmento da ação. Ele ocorre a partir da elaboração de interferências gráficas colocadas em um suporte, que trazem referência do que se pretende registrar. Quando, por exemplo, num projeto relacionado a movimentos as crianças desenham ou pintam em uma folha que tenha uma foto colada, de modo que possa ser girada, delas realizando o movimento da cambalhota e ao mesmo tempo, possam dar cambalhotas em um colchão colocado próximo de onde estão trabalhando. A ideia é de que as crianças possam, ao mesmo tempo, realizar o movimento a ser registrado, brincando com o material oferecido, e também efetivamente fazê-lo enquanto desenham ou pintam. E, quando levarem o material para casa, poderão mostrar e relembrar cada uma das ações registradas. Em ambos os casos, consideramos que a prioridade não está na elaboração do registro e, sim, no envolvimento e na participação de cada uma das crianças durante as muitas situações de aprendizagem que lhes são propostas. Publicado em Centro de Formação | Marcado com Centro de Formação, Escola da Vila
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