quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Falando um pouco sobre as Proposições Curriculares da educação infantil na PBH

O desenvolvimento das Proposições Curriculares não pode desconsiderar as características do/a estudante (sua idade e seus conhecimentos, suas possibilidades de compreensão e elaboração, o meio econômico, social e cultural onde vive), as características de sua família e da instituição educativa, pois essas são determinantes fundamentais das formas de pensamento do estudante ou são a base da construção das capacidades almejadas. Assim, as experiências escolares de ensino e aprendizagem dos bebês e crianças pequenas, das professoras e das educadoras estão comprometidas com a diversidade, com ações diversificadas que considerem as diferenças de ritmos e formas de aprender, o que colabora para a criação de oportunidades mais igualitárias para todos. Tendo em vista que alguns conceitos que articulam estas proposições curriculares podem ter diferentes acepções, faz-se necessário que a professora, a educadora e as coordenações pedagógicas tenham clareza do significado aqui utilizado para: intenções educativas, capacidades/habilidades, conhecimentos disciplinares/conhecimentos das diversas linguagens, experiências escolares. Estas Proposições orientam-se pelas intenções educativas para a Educação Básica, apresentadas nos Cadernos da Escola Plural: -A construção da autonomia do/a estudante. - A construção de conhecimentos que favoreçam a participação na vida social e interação ativa e crítica com o meio físico e social. - O tratamento da informação e expressão por meio das múltiplas linguagens e tecnologias. Para efetivar essas intenções educativas, as proposições curriculares organizam-se em capacidades/habilidades que orientarão a seleção e organização dos conhecimentos, as experiências escolares para seu desenvolvimento e a avaliação, levando em consideração as condições dos bebês e das crianças pequenas. O termo capacidade/habilidade está sendo aqui empregado como um norte, uma meta geral de formação que os profissionais tomam como referência para a organização e o desenvolvimento das propostas de ensino. Neste documento, como nos cadernos do CEALE (2005) - os quais tomamos, como referência para os processos de alfabetização e letramento no 1º e 2º Ciclos -, a opção pelo termo capacidades/habilidades justifica-se pelo fato de ele ser amplo, dando conta de denominar: - os atos motores: segurar um lápis para escrever, o pincel ou a esponja para pintar, mover o mouse para deslocar o cursor, chutar uma bola, correr, pular corda etc. - as operações mentais, simples e complexas: enumerar, ordenar, identificar, localizar, distinguir, selecionar, calcular, associar, classificar, registrar, ler, interpretar, inferir, comparar, relacionar, analisar, sintetizar, avaliar etc. - as atitude que favorecem a autonomia: organizar-se e organizar seus pertences; desenvolver interesse em aprender e expor seus conhecimentos; emitir opiniões com clareza e segurança; trabalhar coletivamente; responsabilizar-se pelo cumprimento de horários, com a realização e apresentação de atividades propostas; ter compromisso com sua autoavaliação etc. - os valores: conhecer a si mesmo; conhecer o outro; criar condições para uma convivência fraterna; cumprir regras e combinados; ser solidário e tolerante; valorizar a vida; cuidar do próprio corpo; saber colocar-se no lugar de outro; respeitar as opiniões e ações das minorias; interessar-se em conhecer e compreender os demais povos, raças, ideologias, religiões etc.; respeitar o próximo, os animais, o meio ambiente; mediar conflitos, partilhar, valorizar a liberdade de expressão, valorizar a vida cultural etc. Capacidades/habilidades expressam os conhecimentos escolares – conhecimentos disciplinares/conhecimentos das diversas linguagens, atitudes e valores - que se deseja sejam desenvolvidos com os bebês e crianças pequenas, a partir de experiências escolares que favoreçam aprendizagens e levem à incrementação, reelaboração, afirmação dos conhecimentos que eles constroem nas interações no seu mundo social, bem como ampliação de suas possibilidades de elaborar novos conhecimentos. Nessa medida, os conhecimentos disciplinares/conhecimentos das diversas linguagens e as experiências escolares utilizadas para seu desenvolvimento assumem papel importante na articulação das capacidades/habilidades-conhecimento que orienta estas Proposições Curriculares. A construção e desenvolvimento de capacidades, e não o desenvolvimento de uma lista de conteúdos, foram apontados como o meio pelo qual as intencionalidades educativas do município, da instituição educativa e da professora e educadora serão concretizadas nos espaços escolares, porque a concepção que orienta a elaboração destas Proposições Curriculares tem como pressuposto considerar as potencialidades do sujeito para a construção, reconstrução, incrementação, reelaboração, inter-relação, afirmação dos conhecimentos a fim de possibilitar a compreensão e a solução de situações problema na sua vida e em seu meio social. Capacidades incorporam, pois, diferentes e variadas vivências, e o papel primordial da Educação Infantil é proporcioná-las para que a criança viva e experimente intensamente o mundo sendo criança, como criança, pois essa etapa da educação tem sentido e importância em si mesma, como espaço de vivências fundamentais à formação humana, e não de preparação para o futuro. Nessa perspectiva, memorizar os conhecimentos disciplinares/conhecimentos das diversas linguagens não significa ter conhecimento, pois o conhecimento depende da capacidade de pensar sobre como as coisas funcionam, pesquisar, observar, registrar, brincar, compreender alguns fenômenos naturais e sociais, relacionar, interpretar, calcular, associar, analisar etc. Assim, o ensino e a aprendizagem dos conhecimentos disciplinares/conhecimentos das diversas linguagens deixam de ter como objetivo apenas o acúmulo de informações sobre a disciplina/linguagem, confluindo em construção de estratégia para atingir formas de pensar e encaminhar soluções diante de problemas e questões colocadas por cada um e pela sociedade. A partir dessas concepções, esperamos que as professoras e as educadoras possam organizar mais sua proposta de ensino, construir melhores condições para a realização de diagnósticos e avaliações gerais e parciais em suas turmas, para que os estudantes também possam compreender melhor e ter melhor desempenho na aprendizagem. Tal como expresso no Caderno 1 do CEALE (2005, p. 15), ressaltamos: a importância que se atribui à sensibilidade e ao saber do professor no sentido de adequar a proposta à real situação de seus alunos. Espera-se que o docente – em conjunto com toda a escola – alie acuidade e disposição positiva para implementar esta proposta, atentando para as efetivas circunstâncias em que se deverá desenvolver seu trabalho. http://portalpbh.pbh.gov.br
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